quarta-feira, 9 de março de 2011

Era uma vez... II

"Ela acredita em fadas e porque ela acredita elas existem..."
***

Muitas luas se passaram desde a ultima vez que cruzei esses mares, que cruzei a linha tenue do imaterial, que mergulhei nos mundos de Éter, onde Dragões dançam pelos céus serpenteando sua magia e abençoando aqueles de corações puros... Diferentes do meu...
Durante muitas luas eu estive presa a realidade fria e cruel que envenena o coração e nos prende aquilo que é material... E todas as vezes que eu fechei meus olhos eu cai em um profundo vazio, escuto e sem sonhos.
Onde foram parar os meus sonhos?
Até isso a realidade que aprisiona tentou levar de mim... Um borrão erra tudo que conseguia ao cair no estado de inconsciencia.
Onde estaria Morfeu?
Havia ele me esquecido? Eu clamei noites e noites antes de dormir para que ele me ajudasse com a travessia, mas tudo que encontrei foi a escuridão. Escuridão essa que nada mais seria do que o reflexo do meu coração tão seco e sem esperanças.
Um coração tão fragil, como folhas secas que sobrevivem a grandes fogueiras e que ao menor sopro do vento podem se transformar em cinzas. Assim ele estava.
Até que um dia depois de muito caminhar por entre ruas cheias de gente com rosto de vidro, ao anoitecer eu pude sentir o Éter vindo de algum lugar por perto. Meu coração acelerou e eu me deixei guiar por aquela energia criadora de mundos os quais eu sempre desejei estar... Me deparei com uma velha livraria que ficava no final de uma rua sem saida. Entrei no local e avistei uma senhora muito idosa folheando um pesado livro com uma capa de couro antiga. Ela me lançou um sorriso bonito, mesmo que amarelado pelo tempo e disse apontando o seu dedo indicador para uma das prateleiras ao fundo do local: "- Ele esta nos fundos a sua espera.".
Tudo parecia extremamente surreal. Tudo era surreal, mas realidade era a ultima coisa que eu me importava naquele momento. Eu queria me livrar dela, de tudo que eu sou, de tudo que eu fui e de tudo que eu poderia vir a me transformar levando aquela vida vazia e sem qualquer significado. Minha mente estava em choque, porque os conceitos de sanidade que eu havia aprendido durante anos de estudo entravam em conflito com os de insanidade patologia que eu estava acostumada a lidar constantemente. Por sorte, meu coração que se despedaçava pulsou novamente e eu senti o sangue estagnado circular timido novamente. E um coração virou bussola e eu me guiei por ele. E ao chegar no final do corredor lá estava ele, sentado no chão, recostado na parede com um pesado livro de capa negra em suas mãos.
"-Porque você demorou tanto?" - um sorriso cumplice brincava em seus lábios e seus olhos de uma natureza profunda me fitavam como se nos conhecessemos a anos.
"-Eu não sei...Estive perdida." - eu respondi e me surpreendi com minhas proprias palavras, pois elas eram do fundo da minha alma.
"-Pois agora é hora de irmos para o lugar que voce vai reconhecer como LAR."   Ele se levantou e era muito mais alto do que eu, seus cabelos longos se agitaram com uma brisa que saia de dentro do livro que ele ainda segurava cuidadosamente.
"-Vamos?"
E eu iria, eu realmente iria com ele para qualquer lugar que eu pudesse reconhecer como MEU, como um lar, como SER pertencente... Mas nesse momento eu despertei, e novamente estava no meu quarto frio e o livro dos Dragões estava aos meus pés... Novamente um sonho que me fazia derramar tantas lágrimas pois era tão ~representante do meu desejo... Mas pelo menos eu havia voltado a sonhar, a escuridão tinha agora um novo ponto de luz, e ela era feita de Éter e eu seria guiada até ela... Eu sabia que seria,talvez a estrela dos sonhos impossiveis tenha brilhado com muito mais intesidade aquela noite e meu desejo estava prestes a ser atendido...

-----Ynna-----

E cá estou de volta... Porque escrever é meu Ópio...
"Toc, Toc...
-Quem é?
-A sua dor..."

1 comentários:

  1. Muito obrigada pelo comentário em meu Blog!
    Tomara que encontremos sim o caminho de volta!
    Seja sempre bem vinda ao meu Blog...
    O fim de seu texto, pra mim escrever é sempre um remédio que sempre alivia as dores da minha alma!

    Tudo de bom pra ti!!

    Beijos:**

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